14/11/2009
Troca-se duas árvores por 3 metros quadrados de cimento em uma calçada, isto mesmo, é prática cortar árvores para cimentar a calçada. Troca-se um pouco de verde por um cinza cimento e ainda, acredita-se que mantendo a calçada sem folhas tudo está limpo. Se diz tanto a respeito de ecologia, meio ambiente, aquecimento global, efeito estufa, queimadas, desmatamento, extinção, mas os péssimos hábitos que negam a vida continuam e se salvam nas justificativas ignorantes. As pessoas não toleram um verde crescer e já pensam em cimentar o quintal e depois colocar fogo na vegetação já morta e seca do quintal. No mês de julho estive na cidade onde passei parte da minha infância. Tive a oportunidade de visitá-la e estava bem acompanhado das minhas sobrinhas Ana Luíza e Clarice. Foi muito bacana quando cheguei próximo à casa onde morei e vi uma árvore que plantei e ajudei a crescer. Fizemos sob a sombra dela uma fotografia e éramos quatro: eu, Ana Luíza, Clarice e a árvore. Aquela árvore tem uma estória que é parte da minha, ela foi testemunha da minha capacidade de amar. Eu nunca desenhei nela um coração em nome do amor. As flores de plástico não morrem, isto mesmo, não morrem, porque não há nelas a vida para oferecer. Em breve teremos árvores de plástico nas calçadas nos dando sombras e um verde plástico. Teremos uma cidade arborizada com árvores de plástico assim como temos os desertos verdes (plantações de eucalípto) substituindo as matas nativas.
22/08/2009
Escafandrista da alma
07/08/2009
Déjà Vu

Conheci Diane Metz porque namorava Andrêsa Helena de Lima. Diane retornou à França e um ano depois ela voltou ao Brasi com o propósito de fazer estágio em Comércio Exterior. Ela era estudante em Aix Provence. Então fui ao seu encontro no Rio de Janeiro, em Guaratiba e sem ter idéia onde era, lá eu cheguei em tempo recorde. Retornei ao local inúmeras vezes mas, nunca fui tão rápido ao destino como da primeira vez. Incrível! Diane então apresentou-me a coordenadora da Ong Les Apprentis de l'Esperance e sua adorável filha, Sophie Tzitzichvili de Panaskhet e Gaya. Também apresentou-me o rapaz Aurélien Moli, com quem fiz grande amizade e fiquei encantado com o interesse dele por tudo e todos. Ficamos amigos, me interessei pelos trabalhos da Ong e conheci um pouco do Rio andando com dois franceses que também não conheciam a cidade. Éramos três turistas e nossa comunicação era incrível! Eu não falava e nem escrevia francês mas falávamos a língua dos Homens. Retornei à Mariana e dias depois eles apareceram em minha casa, Diane e Aurèlien. Andamos pela cidade e foi ótimo ver a cidade onde moro através dos olhos deles. Diane e Aurélien retornaram à França e Sophie permaneceu no Rio com seus trabalhos e eu fui cativado por tudo e desde então sou voluntário. Nos tornamos amigos eu e Sophie. Um dia ela apresentou-me seu companheiro Frank Latore. Foi mágico, o cara realmente tinha uma energia linda consigo conforme Sophie já havia me falado. Os anos se passaram e um dia falei da Sophie com uma amiga, Maura Viegas Assunção. Maura por sua vez falou de uma amiga que morava na França e era envolvida com projetos culturais com Artnomades, seu nome Raquel Menezes. Etão falei dela para Sophie e lhe passei o contato. Ano passado fui ao Rio e na Ong organizamos um grande e lindo evento com vários artistas. Da França veio a atriz Grabriella Scheer e seu companheiro o fotógrafo Jean Bernard. Também o Cris do Brasil um francês que ao cantar parece mesmo brasileiro. Um dia enquanto conversávamos eu e Gabriella Scheer, ela me disse que tinha uma amiga em São João del Rei, cujo nome era Raquel Meneses. Engoli um ponto de exclamação e disse que a conhecia mas, que ela estava morando em Paris. Então Grabriela me disse que ela estava no Rio e que retornaria à Paris somente no próximo mês. Eu enviei uma mensagem à Raquel e lhe convidei nos visitar mas, ela não veio, sua agenda estava apertada para tantos compromissos e o pouco tempo disponível ainda no Brasil. Nesta festa também conheci a Philippine Ménier, voluntária, estagiária de comércio exterior, estudante em Lyon. Ela não falava português claramente mas tínhamos uma necessidade enorme de conversar que de repente eu comecei a falar francês, até aquele exato momento eu não sabia que poderia falar. Foi tão engraçado quando chegamos ao final do dia e ela me disse que eu falava com sotaque alemão algumas palavras. Eu retornei para minha casa em Minas Gerais e dias depois Philippine veio à Mariana e foi muito agradável ela por aqui. Saíamos para conhecer a cidade e eu novamente aprendendo a ver a cidade com os ollhos de outra pessoa. Assistimos filmes brasileiros e era bacana porque passávamos o resto do tempo passeando e reproduzindo as falas dos personagens em diversas situações. Philippine retornou à França e mantemos contato sempre, ela me chama de Meu Padre e eu a chamo de Francesoca de Mon Coeurs. As vezes falamos palavrão e terminamos com a frase "Fique com Deus!". Dias se passaram e um dia, Maura Viegas Assunção me disse que uma amiga viria à Ouro Preto e à Mariana para eventos relacionados ao ano da França no Brasil e se eu poderia recebê-las, pois ela teria que viajar, eu disse sim. Quem era? Raquel Menezes. Ela veio e trouxe consigo uma amiga chilena, Catalina Cabrera. Foi mágico este encontro. Ficamos amigos e com Catalina conheci muitas coisas, vi com os olhos dela algumas coisas ao meu redor. Elas partiram e ganhei uma pedra de presente da Raquel. Dei a ela uma outra e pedi que ao chegar em Paris enviasse esta pedra à Philippine Ménier em Lyon. Assim foi feito. Catalina Cabrera me chama de Olhos de Tuaregue ou somente de Tuaregue. Dias se passaram e comecei um projeto a partir das conversas que tive com Catalina. Sophie retornou à França, está em Sant Tropez em sua casa. Pretende voltar. Neste tempo refiz o site da Ong. Sophie articula contatos e recursos. Hoje soube pela Raquel Menezes que ela e Sophie se encontraram ontem para um lanche daqueles em que se coloca toda comida sobre uma toalha numa relva verde em um parque. Pois é, demorou mas no momento que tinha de ser foi. Neste exato momento estou fazendo contato com estes e outros para que possam participar de um projeto no qual estou trabalhando simplesmente para dizer o óbvio à todos eles: Amo vocês!!!
04/08/2009
Comé que eu faço pra aprender a música de sua terra?

Foi muito bacana receber o convite da Anna Stoppani e da Mônica Elias para fazer uma sinopse do documentário que elas poeticamente realizaram, bem aqui, perto da gente na cidade de Mariana. O tema do documentário é a música. O documentário é uma delícia, um convite maravilhoso é concretizado. Por isso fiz a sinopse em forma de poema.
Comé que eu faço pra aprender a música de sua terra?
De: Anna Stoppani e Mônica Elias
(Mariana/MG, documentário, cor, 60 min.)
O vídeo é conduzido por imagens mestiças,
que nos conduzem em sons e silêncios.
As imagens trazem à luz o pão nosso de cada dia: música.
Algo está na pele da voz dentro do pensamento!
e lá . . . dentro do tempo de nossas horas,
no rastejar do cotidiano apressado
acontece o faz de conta da nossa estória verdadeira.
Música de suor e lágrima
de sol a pino na luz do luar
na alegria de reinventar a própria vida
no ofício do poeta sem livro
e do cantador de batuque imaginário.
O vídeo fica ali, onde vento faz curva
e dobra nosso mundo na linha do horizonte.
Surge então um desejo que se faz pergunta:
como faço para aprender
a música da sua alma?
José Geraldo Begname é terra pra toda obra

No inicio de 2009 em janeiro e fevereiro, eu e o amigo José Geraldo, estávamos passeando pelas cachoeiras de montanhas que cercam a cidade. O propósito era passear e buscar terra com pigmentos interessantes. Com esta terra estávamos interessado em extrair pigmentos naturais para confecção de tinta. Pois é. Já fiz os primeiros testes e me surpreendi com os resultados obtidos. Obrigado José Geraldo, você é terra pra toda obra!
09/07/2009
Salvador Paixão me salvou com muita paixão
Quando iniciei a pintura em 2006 encontrei com Salvador Paixão e lhe disse sobre esta minha iniciativa. Ele não me conhecia, mas eu o conhecia. Ele parou e ficou me olhando.Disse a ele que estava gostando. Ele então perguntou-me se estava fazendo algum curso. Quando dizia a ele que não e que meu grande prazer no momento estava em aprender fazendo ele me interrompeu. Fiquei no silêncio. Foi ótimo! Ele veio com os seguintes dizeres: "Faça o que quer fazer. Esqueça regras agora, pintar se aprende pintando. Você não tem nada a perder. Pinte todo dia." É o que tenho feito. Na minha segunda exposição com parceria com o amigo Ian Guest entitulada "Tintas para Ouvir", ele compareceu. Dias depois foi ele quem me parou na rua e me parabenizou. Fiquei muito emocionado! Hoje estou indo à sua casa com muita frequência, ele está me ensinando a fazer o chaci e a preparar o tecido para receber a pintura. Tem sido maravilhoso, começar um quadro com madeira e pano. Mas eu me assustei mesmo quando Salvador Paixão convidou-me para juntos fazermos uma exposição com trabalhos abstratos . . . Iuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu . . .
22/06/2009
Um filhote de palhaço no meu quintal
Ando observando um amigo, Eduardo, ele é palhaço. Da última vez que lhe fiz uma visita, fiquei impressionado com a criatura palhaço. Penso que até um dos quadros da coleção "Tintas para Ouvir", o quadro "Ianos Índulo" tenha sido um fruto das nossas conversas, ou melhor, do que eu sentia enquanto Eduardo deliciosamente delirava na linda criatura do palhaço. Hoje minha sobrinha de 7 anos me disse: eu quero ser palhaço! Isto me deu um treco no peito e acabei dizendo que ela realmente tinha talento. Ela perguntou-me porque eu dizia aquilo. Então respondi que ela ao me contar me fez rir, e sentir feliz e que de repente aquilo me fazia pensar coisas maravilhosas. Ela queria saber do meu pensamento maravilhoso que me fazia feliz. Respondi é claro. É o seguinte, estou querendo construir uma coleção de quadros a partir da criatura palhaço e logo hoje, vem você me dizer isto. Que lindo!
17/06/2009
Vende-se quadros para muro, tratar aqui.

Um quadro não é livro, não é reproduzido como livro. Fica ele limitado a um espaço. Pode estar em lugar público e pode ser reproduzido como fotogragia mas, um quadro não é livro que aos milhares vai com suas letras por aí. Não é. Os quadros nas paredes e as paredes nas construções e elas plantadas em algum lugar. No entanto um livro pode não ser livro quando não lido e se torna outra coisa e a capa vai lhe dar um status de fotografia, de cartão postal, de quadro na estante. O quadro, plantado na parede, se parece um pé de fruta no meu quintal, só come quem pode no meu quintal entrar. Quando levei o quadro Comédia do Coração para que Anna Stopanni pudesse fotografá-lo, para o convite do SESI, tivemos uma experiência bacana, ela o colocou junto a uma bicicleta, a uma escada, a um muro e aquilo me deu uma sensação tão livre, tão mundo, tão mundo grande, que me deu vontade de fazer quadros para os muros da cidade. Hoje fiquei pensando que na casa onde moro eu poderia colocar uma placa com os seguintes dizeres: vende-se quadros para muro, tratar aqui.
Um pedaço de tinta
Com José Geraldo Bengame estou sempre tecendo conversas a respeito da composição das tintas. Isto se deve ao fato do amigo ter feito um curso de restauração em Ouro Preto. Fui aos poucos percebendo que tinta não é cor. Estou sempre namorando as ranhuras da tinta na tela, do caminho que faz o cabelo do pincel na tinta, dos insetos que aparecem presos nela, dos fios de cabelo que o vento coloca na superfície. Fico admirado com a estória que vai um quadro construindo. Hoje fui à galeria ver os quadros expostos e depois de algum tempo sem convivência com eles, a ausência deles aqui em casa ficou gritante, então fui visitá-los. Lá estavam eles nas paredes e me causaram surpresa porque para mim começaram a ficar estranhos, bom que seja assim. Estranhos porque já começo a observá-los sem poder inteferir no que vejo. Agora sinto que são eles que me provocam mudanças e, ao sair da galeria, fiquei flutuando possibilidades para os próximos.

